Novo estudo aponta que a cafeicultura regenerativa pode ser economicamente competitiva em diferentes sistemas de produção no Brasil

Última atualização: 25/09/2026 às 12:25

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A partir de um estudo com diferentes perfis de propriedades, a GCP Brasil identificou sistemas de produção competitivos em todas as propriedades avaliadas e contextualizou caminhos e oportunidades para melhorar a produtividade, a saúde do solo e as emissões.

SÃO PAULO, BRASIL (23 de setembro, 2026). A GCP Brasil, parte da rede de plataformas nacionais da Plataforma Global do Café (GCP), publicou o estudo Cafeicultura Regenerativa: Uma Análise Econômica, Agronômica e Ambiental. O estudo analisa sete propriedades cafeeiras em Minas Gerais, com realidades de produção distintas, e constatou que, em todos os casos, o manejo regenerativo foi compatível com sistemas de produção economicamente competitivos. As propriedades incluíram desde unidades de produção familiar até operações empresariais, áreas planas e montanhosas, sistemas mecanizados e não mecanizados e produção irrigada e de sequeiro.

A transição para sistemas de produção de café mais resilientes tornou-se uma prioridade para a sustentabilidade da cadeia global do café. No Brasil, eventos climáticos extremos – secas prolongadas, chuvas intensas e concentradas, oscilações de temperatura e granizo – estão entre os principais desafios enfrentados pelos produtores de café. A cafeicultura regenerativa é cada vez mais reconhecida como uma abordagem promissora para fortalecer a resiliência e mitigar as mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que contribui para a melhoria dos recursos naturais.

Apesar do crescente interesse por essa abordagem, ainda são limitadas as evidências sobre seu desempenho econômico, agronômico e ambiental em diferentes condições de produção. Este estudo busca contribuir para preencher essa lacuna ao analisar sete propriedades produtoras de café Arábica nas regiões do Sul de Minas e Cerrado Mineiro, cada uma em um estágio diferente de adoção de práticas de agricultura regenerativa, buscando compreender como essa transição se apresenta em condições reais e diversas dentro de uma mesma origem.

O estudo foi liderado pela GCP Brasil como uma extensão do trabalho coletivo que resultou nos 7 Elementos para Implementação da Cafeicultura Regenerativa – uma estrutura tecnicamente robusta para a produção regenerativa de café no Brasil, que promove o alinhamento do setor em torno de resultados-chave, práticas e seus respectivos indicadores. Estruturado em sete elementos centrais, o guia se baseia em um entendimento compartilhado e fundamentado na ciência e foi validado por representantes dos setores público e privado.

“Este estudo confirma que o caminho para a cafeicultura regenerativa precisa ser específico para cada contexto – não existe uma única forma de avançar”, afirmou Pedro Ronca, Diretor de Programa da GCP Brasil. “O que encontramos nas sete propriedades é que diferentes combinações de práticas regenerativas podem resultar em sistemas de produção competitivos, desde que sejam adaptadas às condições de cada propriedade, implementadas de forma consistente e apoiadas por orientação técnica.

Principais evidências do estudo

  • Competitividade econômica. Todas as propriedades registraram custos operacionais abaixo da média de referência da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento, março de 2025) para Minas Gerais, de R$ 768,80 por saca de 60 kg, independentemente do perfil de produção. A produtividade média foi de 45 sacas de 60 kg por hectare, superando a média nacional de referência da CONAB em 2025.
  • Resiliência agronômica. Os solos superficiais apresentaram, de maneira geral, condições favoráveis de fertilidade, mas limitações entre 20 e 80 cm ainda restringem o desenvolvimento das raízes, fazendo da construção da saúde do solo em profundidade a maior oportunidade para fortalecer a resiliência climática.
  • Performance ambiental. As propriedades removeram consideravelmente mais carbono do que emitiram, com balanço médio de −77,46 tCO₂e/ha. As emissões foram, em média, de 0,95 tCO₂e por tonelada de café cereja produzida, indicando uma relação relativamente favorável entre produtividade e impacto climático.

“Gerar esse tipo de evidência de forma coletiva e pré-competitiva é o que permitirá que todo o setor invista com confiança. Dados de propriedades reais, em condições reais, são o que transforma intenção em investimentos direcionados, para apoiar os produtores ao longo da transição.”

Annette Pensel, Diretora Executiva da Plataforma Global do Café (GCP)

Próximos passos

O estudo oferece uma base de evidências para apoiar produtores, serviços de assistência técnica e extensão rural, cooperativas e traders na elaboração de programas, estratégias e investimentos em sustentabilidade, além de mecanismos de incentivo mais alinhados às diferentes realidades da produção de café. Embora os resultados sejam baseados em uma amostra limitada e não devam ser generalizados em nível regional ou nacional, eles oferecem importantes aprendizados sobre a transição para a cafeicultura regenerativa. Trabalhos futuros deverão continuar avaliando os resultados da cafeicultura regenerativa, contribuindo para validar caminhos de transição e aprimorar os 7 Elementos.

A ampliação da cafeicultura regenerativa dependerá de uma ação coordenada entre produtores, cooperativas, empresas, pesquisadores, serviços de extensão rural e agentes financeiros, juntamente com investimentos coletivos em mecanismos que facilitem o acesso dos produtores às práticas regenerativas e à orientação técnica. Este estudo oferece uma base para o alinhamento do setor, a construção de agendas compartilhadas e a colaboração pré-competitiva necessárias para acelerar a transição no Brasil. Por meio da rede de Plataformas Nacionais da GCP, essa abordagem também pode apoiar a geração de evidências e a tomada de decisão em outros países produtores de café.

Baixe o estudo completo  |   Baixe o Sumário Executivo (Português)

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