Última atualização: 01/10/2026 às 13:55
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O Dia Internacional do Café é comemorado nesta quinta-feira; bebida está no centro da busca por experiência e momentos de conexão humana

Na Fazenda dos Tachos, em Varginha, o casal Adelino e Zazinha se dedica à produção de cafés especiais | Foto: Raíssa Pedrosa/O Tempo
O café especial é um produto essencialmente da agricultura familiar. É dos pequenos produtores que encontraram o “tesouro” na lavoura que surgem lotes – ou microlotes – de bebidas extremamente selecionadas e únicas. O casal Adelino Roberto Bernardes Semboloni, de 75 anos, e Maria José Vilela Rezende Bernardes, de 74, conhecida como Zazinha, são exemplos disso. Na fazenda deles, em Varginha, no Sul de Minas, são produzidos vários tipos de café: os cafés da Fazenda dos Tachos (que levam o nome da propriedade) e o Café Mulher (assinado pela Zazinha).
Todos são cafés especiais, mas se diferenciam pelas notas sensoriais e pela singularidade. O Café Mulher, por exemplo, é o xodó da fazenda e o mais valorizado. Delicado, marcante e bem adocicado, é comercializado por R$ 60 o pacote de 250 gramas. A título de comparação, um pacote de café Specially Coffee, com a marca da fazenda, é vendido por R$ 65, o pacote de 500 gramas. “Nós trabalhamos o café torrado e moído. A gente vende para o Brasil inteiro”, afirma Zazinha.
Famosa na região, a fazenda, que tem história antiga e já está na oitava geração de fazendeiros, faz parte da rota do café, que engloba nove cidades, e recebe visitantes do Brasil inteiro, que vão pela experiência, visitam a plantação, tomam café e são muito bem recebidos pelo casal. Na lavoura, a fazenda também se destaca pela agricultura regenerativa, que consiste na recuperação do solo por meio do cultivo de plantas que ajudam o ambiente enquanto o pé de café cresce. Trata-se da valorização de um produto que, nesta quinta-feira (1º/10), é celebrado no Dia Internacional do Café.
“A gente está sempre aumentando a demanda para cafés especiais. A gente vai ensinando às pessoas as diferenças do café tradicional para café especial”, diz Zazinha. “Não é só o preço, tem muita diferença, o próprio cuidado do café na lavoura, no pós-colheita, é diferenciado. Se você não tiver cuidado, não tiver trabalho, não sai especial. E a nossa função é essa aqui: cuidar para tirar o melhor que a lavoura puder dar”, completa Adelino.
O que o define o café especial?
E esse manejo citado por Adelino é o que realmente faz a diferença na hora de definir o que é café especial e o que não é. O coordenador de café especial da cooperativa Minasul, Thiago de Oliveira Sidney, o Rasta, explica que o que determina as variações sensoriais do café é um mix de situações, ou seja, tudo pode influenciar: o solo, a localização, o manejo, o clima, a altitude, a adubação, entre outras inúmeras variáveis.
Na Minasul, o setor de cafés especiais faz um trabalho de triagem para auxiliar o produtor a entender se o que ele tem na fazenda pode ser “ouro” em forma de grão. “Todo café que entra na cooperativa passa por uma outra classificação, quando tem um potencial para cafés especiais, eles tiram e enviam esse café para gente. A partir desse momento, com potencial para cafés especiais, a gente segue um processo, que é torrar, esperar esse café descansar de 24 horas a 48 horas, e aí depois disso a gente analisa em, no mínimo, três profissionais provadores de cafés especiais”, explica. Por meio da Minasul, esses produtores têm a chance, por exemplo, de acessar o mercado internacional. “A gente exporta para mais de 45 países”, afirma.
E foi lá na Minasul que surgiu o nanolote de um café que virou o “queridinho” da casa: o Café Favo de Mel. O produto é tão exclusivo que é produzido em uma proporção de 1.000 sacas a cada 1 milhão. De sabor adocicado, o café tem notas de mel. Ele integra a lista de outros cafés super especiais descobertos pela equipe. “A gente tem um processo que é uma tabela em que a gente avalia dez atributos diferentes. Ele começa com fragrância e aroma, sabor, finalização — que é o retrogosto —, acidez, corpo, doçura, o balanço, xícara limpa, uniformidade e um overall, que seria tudo”, explica Rasta. É desses atributos que surge a somatória de 100 pontos na avaliação dos cafés. São considerados especiais os cafés com pontuação acima de 80.

A Minasul é uma cooperativa de mais de 60 anos e, desde 2016, exporta cafés para o mundo inteiro. Hoje, os cafés especiais exclusivos da Minasul são encontrados apenas na própria cafeteria da cooperativa.
Mercado em expansão
Conforme relatório da Business Research Insights, o mercado global do café especial terá um crescimento significativo entre 2026 e 2035, saindo de US$ 32,19 bilhões para US$ 87,1 bilhões no período. Além disso, aproximadamente 35% dos consumidores de cafés especiais preparam café premium em casa, o que tem aumentando, ainda, a demanda por equipamentos para cafés especiais, como moedores e máquinas. Trata-se de um mercado aquecido, que tem atraido cada vez mais novas cafeterias, que apostam em bebidas, torrefações ou acompanhamentos autorais para se destacar no mercado.