Do Vale do Café ao Centro-Oeste: Parceria Interinstitucional Amplia Pesquisas sobre o Potencial da Macaúba

Última atualização: 01/10/2026 às 14:22

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Cooperação entre a Universidade de Vassouras, instituições de Goiás e produtores locais conecta ciência, sustentabilidade e inovação na cadeia produtiva da palmeira nativa

Por Felipe Marinho Masid | Conexão Safra

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A participação da Universidade de Vassouras no evento Inova Agro, promovido pela Associação dos Engenheiros Agrônomos de Goiás (AEAGO), deu origem a uma importante rede de pesquisa integrando o Vale do Café fluminense ao Centro-Oeste brasileiro. A parceria, consolidada por meio de um acordo de cooperação em pós-graduação, aproxima pesquisadores e alinha saberes regionais para explorar o potencial da macaúba, palmeira nativa de grande relevância agronômica e biotecnológica.

A rede conta com a colaboração de pesquisadores da Universidade Estadual de Goiás (UEG) e da Universidade Federal de Goiás (UFG), dedicados aos estudos de germinação da espécie, além do apoio técnico e infraestrutura da Estação Experimental da EMATER-GO em Porangatu. Em contrapartida, a Universidade de Vassouras contribui com sua expertise em engenharia para agregar valor à cadeia das oleaginosas.

Integração Científica e Economia Circular

No Estado do Rio de Janeiro, os trabalhos recebem suporte de fazendas locais e estão vinculados ao projeto BioVale. A iniciativa é financiada pela FAPERJ no âmbito do programa CapacitaAgro (Pesagro-RJ) e foca na investigação do aproveitamento integral de frutos e resíduos, rotas de economia circular e identificação de compostos com potencial bioativo.

Segundo a Dra. Cristiane Siqueira, Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação na Universidade de Vassouras, pesquisadora e coordenadora do projeto, a união de forças entre os estados é estratégica para responder a gargalos agronômicos e ambientais centrais:  “A ligação entre as regiões permite reunir conhecimento produzido no Vale do Café e observações de campo no Centro-Oeste em torno de uma pergunta comum: quais materiais de macaúba conseguem conciliar adaptação climática, produção e qualidade dos frutos?”

A pesquisadora complementa destacando o papel da ciência frente aos desafios climáticos globais: “O projeto responde a uma questão central para a adaptação da agricultura às mudanças climáticas: como selecionar materiais de macaúba que resistam ao calor e à escassez de água e, ao mesmo tempo, produzam frutos de qualidade.”

Metodologia e Objetivos ao Longo de Três Anos

Com duração prevista de 36 meses, a pesquisa acompanhará plantas adultas em campo no norte goiano e realizará ensaios controlados em fazendas no município de Vassouras, comparando mudas de diferentes origens. O estudo relacionará dados meteorológicos, de solo e produtividade às características físico-químicas dos frutos, além de avaliar métodos de extração e o uso sustentável dos óleos, compostos e coprodutos.

As análises relativas à busca por compostos bioativos possuem caráter exploratório, servindo como base inicial para futuras investigações nas indústrias de cosméticos, ingredientes funcionais e outros setores.

Impactos Científicos e Socioeconômicos

Além de promover a formação de pesquisadores e o intercâmbio de metodologias entre as instituições participantes, a iniciativa fornecerá critérios técnicos consolidados para a seleção de materiais vegetais com maior interesse produtivo. Ao associar os dados agronômicos de Goiás à capacidade analítica e de processamento da Universidade de Vassouras, o projeto abre caminhos para a diversificação agrícola, a valorização do produtor rural e o fortalecimento da economia circular.

Por: Felipe Masid

Entrevistada: Dra. Cristiane Siqueira

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