Última atualização: 01/10/2026 às 12:51
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Associadas do Mulheres do Cacau conquistaram o primeiro, o segundo e o sétimo lugares no concurso de qualidade de Colatina
Por Rosimeri Ronquetti | Conexão Safra

O 1º lugar, ficou com a cafeicultora Vanderleia Kepp de Menezes com prêmio de R$ 10mil. O 2º lugar, com Bruna Salomão Reinholz, com prêmio de R$ 5mil e o 7º lugar, com Edinélia Strasmann Ferreira, com prêmio de R$ 1.400. Foto: arquivo pessoal
As associadas do coletivo Mulheres do Cacau, núcleo de Colatina, estão fazendo história também na cafeicultura. O primeiro, o segundo e o sétimo lugares do 8º Concurso de Qualidade do Café do município foram conquistados por mulheres do grupo. A final da competição aconteceu na última sexta-feira, dia 26, em Colatina.
As vencedoras fazem parte do projeto Filhas da Terra, que nasceu dentro da associação com a proposta de trabalhar com café de qualidade. O primeiro lugar, com 88,41 pontos, ficou com a cafeicultora Vanderleia Kepp de Menezes; o segundo, com Bruna Salomão Reinholz, 85,68 pontos, e o sétimo, com Edinélia Strasmann Ferreira, todas da localidade de São João Pequeno. As vencedoras levaram para casa R$ 10 mil, R$ 5 mil e R$ 1.400, respectivamente.
A grande campeã do concurso, que produziu seu primeiro café de qualidade em 2025, disse que não esperava esse resultado.
“Minha ficha ainda não caiu. Imaginei que podia ficar entre os 10, mas nunca esperava o primeiro lugar. Foi uma alegria muito grande. Fiquei muito feliz”, conta Vanderleia.
Bruna, que ficou em segundo lugar, também só conseguiu um café com pontuação para ser considerado de café de qualidade no ano passado. Mas, desde o começo, o sonho era participar do concurso e ficar entre os 10 finalistas.

Bruna ao lado do esposo, Marciano Hanerth,e das filhas Carolina e Bianca Reinholz Hanerth.
Foto: arquivo pessoal
“Foi muito mais do que eu imaginava. Fiquei muito feliz com essa conquista, feliz por levar o nome Filhas da Terra para que mais pessoas conheçam e por ver nosso trabalho valorizado”, disse a produtora.
A presidente da associação, Fabiani Salomão Reinholz Macedo, lembra que essa foi a primeira vez que as produtoras participaram da competição e destaca o impacto do resultado.
“Há dois anos a gente tem feito esse trabalho diferenciado dentro das propriedades, e ganhar o primeiro e o segundo lugares no concurso do município tem um impacto positivo muito grande para as propriedades, que só produziam commodities, sem nenhum critério para fazer qualidade. A maioria dessas produtoras não consumia o próprio café. Além de fornecerem um café de qualidade para as famílias, elas conseguiram chegar a um patamar de qualidade que impacta o município”, enfatiza a presidente.
Fabiani destaca ainda que esse é o primeiro passo de um caminho de melhorias no processo para alcançar outros concursos e também criar uma forma de comercializar, em conjunto, os cafés produzidos por elas.
“A alegria é muito grande. Sinto um orgulho de ver um trabalho que a gente tem feito com muito carinho, juntas, trazer frutos tão significativos.”
Promovido pela Prefeitura de Colatina, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Infraestrutura Rural, o concurso é organizado em parceria com o Incaper e o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) Campus Itapina, com apoio da Seag, do Idaf, do Sebrae, Sindicato Rural, Sindicato dos Trabalhadores Rurais e da Nazca Spices & Coffee.
Filhas da Terra
A ideia surgiu em 2023, após uma visita do grupo à Cooperativa dos Cafeicultores do Sul do Estado do Espírito Santo (Cafesul). Foi durante essa visita que a produtora Edinélia Strasmann Ferreira, do Sítio Semear, conheceu esse nicho de mercado e se encantou com as possibilidades.
Edinélia levou a proposta à presidente da associação, Fabiani Salomão Reinholz Macedo, com a seguinte provocação: “Todas as associadas têm produção de café. Por que não entrar nesse universo?”. A sugestão foi levada para discussão nas reuniões do grupo, e o projeto logo ganhou forma.
O grupo foi batizado como Mulheres do Cacau por conta de um projeto desenvolvido pelo Incaper voltado à cultura do cacau, que uniu as agricultoras. No entanto, trata-se de uma associação da agricultura familiar, com atuação diversificada. O coletivo é formado por 17 produtoras, das quais nove participam do projeto Filhas da Terra.